Não me acho... Sou!
Às vezes sinto-me uma atriz mutante.
Sou de fases como a lua...
Da puta... A freira maldita, a bendita do bordel.
Ventania, tempestade... Gozo de explosão!
Sou dragão cuspindo fogo, na tua inquisição,
Menininha estendendo a mão, pedindo migalhas -coração;
Sereia em canto solitário...
Puro jogo de lirismo e sedução!
Sou aquela perdida na contra mão!
Estrela irradiando luz
Sou cicuta... Veneno letal
Polvo... Braços de generosidade.
Rosa de Hiroxima! Amor de menina
Sou átomo... Ao pó retornarei
Nada... Tudo... Imensidão
Bomba atômica a detonar...
Na minha reconstrução!
Sou também meu orixá
Justiceira a me guiar
A moça a rodopiar
No centro do furacão... Emoção!
Lady-puritana, vadia-cigana
Faço charme de dondoca
De verdade nada disso me importa
Ciumenta as raias da loucura
A visceral... Mais calculista!
Sou Joana D’arc. queimada...
A louca que olha o mundo torto!
Sou a bela e a fera
Na mesma intensidade
A moça bonita maldosa
A feia boazinha e ardilosa
Sou a bruxa ardendo na fogueira
Meus feitiços, nem te conto.
São para poucos o doce veneno
Ardem de prazer, mas são amenos.
Mas das multidões que sou
O que talvez tu não saibas
O que mais gosto de ser
MULHER
Mulher que ama
Chora e faz versos... E que brinca
Na imaginação... Dos diferentes!
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